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  • Foto do escritorSara Mendonça

Fasceíte plantar: O que é, causas e tratamento

A fasceíte ou fascite plantar é uma das causas mais comuns de dor no pé. Esta, pode causar dores incapacitantes em atividades como correr, andar ou ficar em pé. Conheça melhor esta condição de saúde e saiba como tratá-la da melhor forma.



O que é?

A fasceíte plantar é uma condição de saúde que deriva da lesão da fáscia plantar (1). Esta tem uma prevalência de 4 a 7% na população geral e de cerca de 8% nos atletas (2).


O que é a fáscia plantar?

A fáscia plantar é uma larga tira de tecido localizado na base do pé. Esta tem origem no osso do calcanhar e segue até aos dedos do pé. A sua principal função é manter a estrutura do arco plantar, contando com a ajuda dos músculos e os ligamentos do pé.

Manter o arco do pé é importante, pois este ajuda-nos no andar e no correr. O arco achata-se um pouco quando andamos, ajudando a transferir o peso do corpo do calcanhar para a base do dedo grande do pé. Quando corremos o arco tem uma acção semelhante a uma mola, que armazena e liberta energia, ajudando a empurrar o corpo para cima e para a frente. A ação do arco plantar é particularmente importante na corrida – através da sua acção, o corpo humano, baixa o custo energético da corrida em aproximadamente 17% (3).


O pé cavo e chato são alterações no formato do arco.

Quais são os sintomas?

Normalmente a dor é sentida na parte de baixo do calcanhar. Esta é pior de manhã, nomeadamente ao dar os primeiros passos, melhorando depois com a atividade. Períodos de inatividade durante o dia podem provocar um aumento da dor. À medida que severidade da condição aumenta, a dor pode surgir em atividade e na posição de pé (1).

Quais são as causas?

Segundo o estudo de Sullivan et all de 2020, os fatores de risco com maior evidência são o índice de massa corporal elevado (excesso de peso), a redução de amplitude do tornozelo e a falta de força no pé e tornozelo. Existem, contudo, muitos outros fatores de risco a ter em conta. Parte deles encontram-se descritos na tabela abaixo (3,4)

Estes fatores de risco, assim o são, porque fazem com que haja uma sobrecarga na fáscia plantar. Um exemplo disto é a falta de força no pé. Quando os músculos do pé estão enfraquecidos, a manutenção do arco plantar fica comprometida, pois estes são fundamentais no seu suporte. Sem a suficiente ajuda dos músculos, a fáscia acaba por ser sacrificada, ficando exposta a um trabalho excessivo. Esta sobrecarga acaba por causar alterações celulares da fáscia levando à fasceíte plantar(3).




Tratamento

Sabia que a Fisioterapia é bastante eficaz no tratamento da fasceíte? As sessões de fisioterapia para a fasceíte podem ser divididas em duas fases. A primeira fase tem como objectivo principal o alívio da dor e a segunda fase tem como finalidade o retorno gradual e seguro às atividades que antes provocavam dor.


Fisioterapia:


Fase 1: Modificação da actividade e alívio da dor

Se ficar muito tempo de pé dói ou se correr dói, é importante que numa fase inicial estas atividades sejam modificadas, reduzidas ou mesmo evitadas. O fisioterapeuta é o profissional ideal para aconselhar que atividades deve evitar/modificar e como pode fazê-lo.


Lembra-se de todos aqueles fatores de risco já falados? Na avaliação, o fisioterapeuta irá verificar quais poderão estar a contribuir para a sua dor e aconselhá-lo para a melhor maneira de os modificar. O fisioterapeuta irá verificar em que situações a dor aparece, avaliar a sua mobilidade e força muscular e adaptar o seu tratamento a partir dessas informações.


Técnicas para o alívio da dor como a terapia manual, exercícios suaves, aplicação de ligaduras funcionais, entre outras, podem trazer um alívio muito importante nesta fase de maior dor. Dois conselhos para casa bastante úteis são a realização do alongamento da fáscia plantar várias vezes ao dia e a realização de auto-massagem utilizando uma garrafa de água gelada.


Massagem com garrafa gelada e alongamento.

Experimente realizar os alongamentos por pelo menos 20 segundos. Repita 3 a 5 vezes de seguida e faça-o várias vezes ao longo do dia. Em alturas de maior dor, tire uma pequena garrafa de água do congelador e deslize a planta do pé em cima da mesma. 10 minutos de massagem serão suficientes.


Outros tratamentos: Nesta fase de maior dor o seu médico pode aconselhar medicação para o seu alívio. O uso de sapatos confortáveis, palmilhas ou almofadas em gel de silicone ajudam a reduzir o impacto directo do calcanhar no chão e podem ser usados nesta fase de dor mais intensa. O uso de tala noturna pode ser recomendado.

Almofada em gel de silicone


Fase 2: Fortalecimento muscular e retorno gradual à actividade

Após a primeira fase de dor mais intensa ter passado, a dor estabiliza e só volta a reaparecer se a fáscia plantar ficar sobrecarregada novamente. É nesta etapa que se torna importante aumentar a força dos músculos do pé. Músculos do pé fortes evitam que a fáscia fique sobrecarregada evitando assim que a fasceíte regresse (2,7).


Ao mesmo tempo que o fortalecimento muscular começa a dar os seus frutos, é importante que retorne gradualmente às atividades que antes provocavam dor. Este regresso tem de ser muito bem planeado para evitar o regresso da fasceíte. Pode contar com o seu fisioterapeuta para ajudá-lo a planear este retorno em segurança(1,8).


Partilho abaixo um exemplo de exercício de força, muito útil no tratamento da fasceíte, retirado do estudo de Rathleff et all. de 2015. Neste exercício elevamos os calcanhares de forma lenta, mantemos no ar por alguns segundos e voltamos a baixá-los, estando os dedos dos pés em cima de uma pequena toalha. Recomendo uma visita ao seu fisioterapeuta para que este avalie qual ou quais serão os melhores exercícios para o seu caso e a sua correta "dosagem" e progressão. Muitas vezes, os exercícios executados por conta própria, sem uma correta orientação, podem provocar um agravamento da condição.

Elevar os 2 calcanhares. Progressão com apoio em apenas 1.

Conclusão

A fasceíte plantar é uma lesão da fáscia plantar – uma estrutura que ajuda a dar suporte ao arco do pé. Existem várias possíveis causas para o seu aparecimento. Entre elas estão a falta de força no pé, o excesso de peso e a pouca mobilidade do tornozelo. A fisioterapia é eficaz na redução da dor e tem um papel crucial na prevenção de futuras recidivas. Não deixe que a fasceíte o impeça de fazer aquilo que mais gosta e procure os nossos serviços de fisioterapia. :)


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Obrigada por lerem,


Sara Mendonça

Fisioterapeuta e Instrutora de Pilates

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FisioAjuda – Especialistas na Coluna

964 422 523 | 291 782 327

Rua Vale da Ajuda 96, 9000-116 Funchal



Referências:

1. Landorf K, Simons S, Jordan C, Rathleff M. Foot pain. Em: Brukner&Khan’s Clinical Sports Medicine. 5th ed. McGraw-Hill Education; p. 941–6.

2. Rathleff MS, Thorborg K. «Load me up, Sotty»: mechanotherapy for plantar fasciopathy (formerly known as plantar fasciitis). Br J Sports Med. Maio de 2015;49(10):638–9.

3. Lieberman DE. A História do Corpo Humano - Evolução, Saúde e Doença. Temas e Debates; 2015.

4. Sullivan J, Pappas E, Burns J. Role of mechanical factors in the clinical presentation of plantar heel pain: Implications for management. Foot (Edinb). Março de 2020;42:101636.

5. Lim AT, How CH, Tan B. Management of plantar fasciitis in the outpatient setting. Singapore Med J. Abril de 2016;57(4):168–70; quiz 171.

6. Sachithanandam V, Joseph B. The influence of footwear on the prevalence of flat foot. A survey of 1846 skeletally mature persons. J Bone Joint Surg Br. Março de 1995;77(2):254–7.

7. Rathleff MS, Mølgaard CM, Fredberg U, Kaalund S, Andersen KB, Jensen TT, et al. High-load strength training improves outcome in patients with plantar fasciitis: A randomized controlled trial with 12-month follow-up. Scand J Med Sci Sports. Junho de 2015;25(3):e292-300.

8. van Leeuwen KDB, Rogers J, Winzenberg T, van Middelkoop M. Higher body mass index is associated with plantar fasciopathy/’plantar fasciitis’: systematic review and meta-analysis of various clinical and imaging risk factors. Br J Sports Med. Agosto de 2016;50(16):972–81.

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